Paciente pós-Covid celebra vida nova após 50 dias na UTI: “Não tenho mais pressa”

31/07/2020

Enquanto grande parte do mundo ainda mensurava os efeitos da pandemia do novo coronavírus, Rafael Lisboa Muller, de 45 anos, se deparava com o maior desafio de saúde da sua vida. No dia 29/3, após argumentar com a esposa que precisava de ajuda médica por achar que “poderia morrer” de tanta dificuldade em respirar, ele ingressou afoito no Hospital São Lucas da PUCRS. O que o representante comercial não sabia ainda é que aquela seria a sua segunda casa pelos próximos meses.

Após 63 dias internado Rafael conseguiu rever as filhas

Com baixa oxigenação no corpo devido ao diagnóstico de Covid-19, Muller logo precisou ser entubado na UTI. “Foi tudo muito rápido. Vim para o hospital, recebi o diagnóstico e avisei meu Irmão para vir buscar o carro, pois não sabia quanto tempo ficaria”, relata. Não houve tempo para despedidas e a partir daquele momento, sua esposa Sheila, e as filhas Rafaela e Giovana, de 15 e 13 anos, respectivamente, tiveram que lidar com o acompanhamento a distância.

Foram 42 dias inconsciente, 50 na UTI e a constante sensação de medo e insegurança. “Meu maior choque foi acordar e perceber que não conseguia me mexer. Ali eu entendi que precisaria de ajuda por um tempo. Não era mais autossuficiente”, pondera. O carinho familiar imprescindível veio algum tempo depois, em forma de esperança. “Passei 63 dias sem ver as minhas filhas e naqueles breves 20 minutos que tivemos para nos encontrar no Hospital, passamos praticamente o tempo todo chorando”, recorda.

É a partir dessas lembranças que o empresário se reconecta com o dia a dia do hospital, onde viveu uma rotina jamais esperada. Até a sua alta oficial, no dia 16/6, o processo de recuperação era acompanhado de perto pelo Dr. Fabiano Ramos, chefe do Serviço de Infectologia do HSL, e toda a equipe de atendimento. Com gratidão, Muller lembra de todos que de alguma forma tentavam animar seus dias, cuidando, trazendo as notícias que vinham de fora e ajudando com algumas vontades simples, como o banho fora da cama. “É difícil citar todo mundo que foi especial nesse período, mas destaco o Jason e o Henrique, da Enfermagem, como duas figuras muito importantes no dia a dia”, comenta.

Rafael precisou de fisioterapia para recuperar os movimentos

Durante a batalha contra a Covid-19, o porto-alegrense precisou lidar ainda com quatro bactérias que estenderam a sua internação. Ainda viu o irmão André embarcar na mesma jornada contra a doença. Mas a recuperação finalmente chegou, trazendo desafios e responsabilidades para a retomada da vida normal. “Pela inatividade do corpo, precisei de fisioterapia para voltar a andar, o que só foi possível uma semana depois da alta”, relembra. O estilo de vida ativo permanece no horizonte. Muller só retornou ao trabalho no dia 18/7. Os oito quilômetros diários de corrida, ainda são um desejo distante.

Mesmo reconhecendo as limitações temporárias, ele sabe que o pior já passou, deixando importantes lições que o fazem enxergar a vida de outra maneira. “O que eu posso dizer é que não tenho mais problemas. Depois que você passa por uma experiência dessas, não tem mais pressa. Ser feliz e passar o máximo de tempo com a família é a minha prioridade”, celebra. Essa é a mensagem que pretende levar adiante, principalmente para aqueles que se encontrarem na mesma situação. “Você tem uma montanha pela frente, então faça a escalada devagar. Na volta, respeite o tempo e esteja aberto a contar com a ajuda dos outros”, conclui.

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