Países latino-americanos poderão adotar tratamento padronizado antitabagismo

27/05/2009

As diferentes práticas de combate ao tabagismo aplicadas em países da América Latina poderão dar origem a um documento que buscará a padronização dos tratamentos. O tema será debatido durante o Congresso Latinoamericano para o Controle do Tabagismo (Healthcare Coalition for Tobacco Control in Latin America), que ocorrerá entre os dias 1º e 5 de junho no Rio de Janeiro. O evento reunirá cerca de 250 médicos convidados de todos os países latino-americanos envolvidos com o tema (pneumologistas, cardiologistas, psiquiatras e oncologistas).

O presidente do congresso, José Miguel Chatkin, chefe do Serviço de Pneumologia do Hospital São Lucas da PUCRS, explica que o objetivo é tentar estender a padronização já existente no Brasil, Chile, Argentina e México a outros países do continente. “A ideia é a de criar um guia de tratamento bilíngue, espanhol e português, que atenda as necessidades de conduta práticas dos profissionais de saúde em atendimento a fumantes em processo de cessação do tabagismo”, afirma. O médico destaca que a possibilidade de sucesso do tratamento para tabagismo é maior quando se associam tratamento farmacológico e o apoio comportamental. “A combinação das duas técnicas é a mais eficiente”, salienta o pneumologista.

O problema do tabagismo na América Latina é grave. Estimativas apontam que entre 8% e 10% dos fumantes de todo o mundo vive nesta parte do continente, o equivalente a 120 milhões de pessoas. Deste total, cerca da metade morrerá por uma doença tabaco-relacionada (1 em cada 2 fumantes). Além disso, cinco dos maiores países produtores de tabaco são latino-americanos: Brasil (um dos maiores produtores e também exportadores), Argentina, Cuba, Colômbia e República Dominicana. Também na América Latina é onde se praticam os preços mais baixos de cigarro, o que facilita seu uso pelas camadas menos favorecidas da população. Embora apresente índices ainda possíveis de serem melhorados, o Brasil tem percentuais baixos de fumantes, em comparação a outros países da Região (de 17% a 20% da população).

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Publicado em Imprensa do HSL