Setembro Amarelo: É preciso falar sobre suicídio

05/09/2018

Mês de setembro é marcado pela prevenção

Segundo a Associação Brasileira de Psiquiatria, a cada 40 segundos, uma pessoa tira a própria vida. Os números no Brasil são preocupantes. O país é o oitavo em número absoluto de suicídios. Por isso, para falar sobre esse tema tão importante, desde 2015, o dia 10 de setembro é marcado como o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

Ao contrário do que muitos acreditam, falar sobre suicídio não deve ser um assunto proibido. Essa é uma situação recorrente entre todos os povos ao longo da história e, por isso, é importante prestar atenção nos primeiros sintomas, que podem surgir em conversas com familiares, amigos ou especialistas da saúde. Pessoas que chegam a este pensamento passam por uma série de fatores acumulados. Fique atento e ajude a identificar os principais fatores de risco.

  •  Tentativa prévia de suicídio: pessoas que já atentaram contra a própria vida em algum momento possuem até seis vezes mais chances de tentar o suicídio novamente.
  • Desesperança, desespero, desamparo e impulsividade: estes sentimentos podem continuar aflorados após o alívio dos sintomas da depressão.
  • Idade: o suicídio é a terceira principal causa de morte entre jovens e adolescentes no Brasil. Idosos também alimentam as estatísticas em razão da solidão, perda de parentes e do sentimento de incapacidade.
  • Gênero: Homens tendem mais ao suicídio, porém, as mulheres estão à frente no número de tentativas. Conflitos sobre identidade sexual estão entre causas de comportamentos suicidas.
  • Doenças clínicas não psiquiátricas: estes distúrbios possuem fatores de risco independentes dos demais.

Saiba o que é mito e o que é verdade quando o assunto é suicídio.

Mitos

Verdades

O suicídio é uma decisão individual, já que cada um tem pleno direito a exercitar o seu livre arbítrio e decidir se quer cometer suicídio. Pessoas que pensam em suicídio estão passando por intenso sofrimento, o que pode alterar, de forma radical, a sua percepção da realidade e interfere em seu livre arbítrio. O tratamento eficaz da doença mental com um profissional da saúde é o pilar mais importante da prevenção do suicídio.
Quando uma pessoa pensa em se suicidar terá risco de suicídio para o resto da vida. Sintomas psíquicos que aumentam o risco de suicídio podem ser tratados, diminuindo consideravelmente quando recebem acompanhamento com profissional de saúde mental
As pessoas que ameaçam se matar não farão isso, querem apenas chamar a atenção. A maioria das pessoas que cometem suicídio fala ou dá sinais sobre suas ideias de morte. Boa parte dos suicidas expressou, em dias ou
semanas anteriores, seu desejo de se
matar.
Se uma pessoa que se sentia deprimida e pensava em suicidar-se, em um momento seguinte passa a se sentir melhor, normal mente significa que o problema já passou. Se alguém que pensava em sui
cuidar-se e, de repente, parece tranquilo, aliviado, não significa que o problema já passou. Uma pessoa que decidiu suicidar se pode sentir-se “melhor” ou sentir-se aliviado simplesmente por ter tomado a decisão de se matar.
Quando um indivíduo mostra sinais de melhora ou sobrevive à uma tentativa de suicídio, está fora de perigo. Após o período de uma hospitalização psiquiátrica ou de uma situação de tentativa de suicídio, o indivíduo ainda pode estar muito fragilizado emocionalmente, podendo ainda se manter em risco de uma nova tentativa. Neste caso, é importante seguir em acompanhamento em saúde mental, para dar seguimento ao tratamento e controle dos sintomas.
Não devemos falar sobre suicídio, pois isso pode aumentar o risco. Falar sobre suicídio não aumenta o risco. Muito pelo contrário, falar sobre o suicídio não aumenta o risco. Muito pelo contrário, divulga informações de como identificar os sinais e sintomas e auxilia a pessoa que tem pensamento de morte. Falar com alguém sobre o assunto pode aliviar a angústia e a tensão que esses pensamentos trazem e auxiliar a buscar ajuda profissional.
É proibido que a mídia aborde o tema suicídio. A mídia tem obrigação social de
tratar desse importante assunto de saúde pública e abordar esse tema de forma adequada.

 

Fonte: Serviço de Psiquiatria e Serviço de Psicologia do Hospital São Lucas da PUCRS.

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